Lucas 15 é o capítulo conhecido como o "evangelho dentro do evangelho". Jesus apresenta uma resposta à acusação que Lhe é feita pelos austeros fariseus: "Este recebe pecadores e come com eles" (Lc 15:2). Ele, então, conta três parábolas. Essas histórias não são primariamente uma exposição do evangelho, mas uma defesa dele. Elas representam a poderosa teologia de Cristo diante daqueles para quem a graça de Deus parecia um desperdício, aqueles que se sentiam indignados face à afirmação de que Deus Se interessa pelos pecadores. Para esse grupo, Jesus conta a parábola da ovelha perdida (Lc 15:3-7), a parábola da moeda perdida (v. 8-10) e a parábola do filho perdido (v. 11-32).
Como você se sente quando perde qualquer coisa considerada valiosa? Jesus utiliza um conceito que facilmente podemos compreender e com o qual logo nos identificamos. É óbvio que as pessoas se sentem frustradas, deprimidas e tristes quando perdem aquilo a que dão valor e se alegram quando encontram o que foi perdido. A estupenda revelação que Jesus faz é de que Deus também Se sente assim. Essas são histórias de Deus na linguagem dos homens. Tais parábolas têm uma estrutura comum: elas enfatizam a tragédia da perda, a diligência da busca e a alegria do encontro. A lição é clara em cada caso. Os bens perdidos não foram esquecidos e não perderam seu valor, o que é indicado pela busca. No caso da ovelha, a proporção é uma em cem; no caso da moeda perdida, uma em dez; e, no caso do filho perdido, um em dois.
Viajando de ônibus de Toronto, no Canadá, para a cidade de Nova York, fizemos uma parada em um terminal rodoviário na cidade de Buffalo. Chamou-me a atenção um enorme mural, tomando toda a parede, com fotografias de pessoas desaparecidas. Homens, mulheres, rapazes, moças e principalmente crianças. Todos eles, filhos, filhas, esposos, esposas, pais, netos de alguém. Acima das fotos, escrito em letras bem grandes: "Perdidos, mas não esquecidos." Não pude deixar de fazer a associação daquele quadro com essas histórias de Jesus. Pessoalmente Deus Se envolveu na busca daquilo que foi perdido. Toda a inteligência do Universo concentrada na tarefa de resgatar o que se extraviou. Você, querido leitor, é o objeto dessa inestimável busca!
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